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Entrevistas

Entrevista com Ricardo Camargo (Director Executivo da ABF)

23-09-2005

O Ministro do Franchising.
A propósito da missão brasileira à Expofranchise a F&NB entrevistou, em exclusivo, o director executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF) num momento em que o país irmão assume grandes perspectivas sobre o mercado europeu. Por todos os motivos Portugal assume-se como a porta de entrada para o Velho Continente na perspectiva de um país empreendedor desde há muito habituado a ser apontado como exemplo no mapa mundial do franchising ao nível da criatividade, diversidade e padrão de qualidade.
Fundada em 1987 a ABF congrega a larga maioria dos operadores de franchising no país (678) – a maior do mundo em número de associados – e só recentemente perdeu a terceira posição mundial porque países como China entraram na corrida ao top. Nada que preocupe Ricardo Camargo, porque mesmo assim aquele país registou em 2004 um volume de próximo dos 10 biliões de euros. O crescimento do franchising no outro lado do Atlântico lê-se nos 30 mil novos empregos gerados anualmente. Camargo «integra» o Governo de Lula enquanto o seu cargo directivo faz dele um descendente de Pedro Álvares Cabral… no sentido inverso, numa caravela chamada franquia.

Porque é que só agora aconteceu esta missão da ABF a Lisboa?
Porque a ABF ainda não tinha maturidade.
Falámos com a Associação Portuguesa de Franchise (APF) e sentimos que eles também estão no princípio, tem poucos associados… Dependendo do trabalho que for feito pela APF, vocês vão ter que amadurecer nesse sentido.
Hoje a ABF tem o Selo de Excelência, a feira (S. Paulo), a convenção anual e alguns cursos novos – é muito actuante e estamos muito envolvidos com o franchising. Agora atingiu um ponto de maturidade e temos o apoio da APEX, que cobre metade das despesas nesta missão.

Em 2006 haverá mais marcas?
Treze já estão garantidas. Mundo Verde, China in Box e a Marisol já garantiram.

Há condições para uma missão portuguesa a S. Paulo?
O objectivo é nós aumentarmos muito este intercâmbio e em 2006 vou disponibilizar espaço para os empresários espanhóis e portugueses que queiram ir ao Brasil.

Que conceitos portugueses terão maior potencial para vingar?
Portugal tem uma riqueza muito grande de vinhos e doces – os brasileiros são loucos pelos doces portugueses. Cadeias que operem com esses produtos vão ter sucesso. A comida de uma forma geral, principalmente em S. Paulo e no Rio de Janeiro, que têm uma grande concentração de portugueses e uma grande influencia cultural. São dois locais que poderão albergar muitos restaurantes portugueses.
O têxtil tem sempre oportunidades, o design é que é um pouco diferente. Tenho sentido que existe uma intenção portuguesa de levar a moda. E alguns serviços com máquinas de vending.

A proximidade e poder de influência da ABF junto do Governo tem ajudado bastante ao desenvolvimento da economia brasileira.
O Brasil tem a associação com o maior número de sócios do mundo, praticamente metade das redes que operam no país, incluindo as maiores marcas. Pelo menos 60% da facturação do franchising está representada na ABF.

Que mais-valias tem um franchisador em ser associado da ABF?
É que hoje temos um peso político bastante importante pelo trabalho junto do Ministério do Desenvolvimento e temos regras: a feira é organizada pela ABF e só podem participar empresas associadas, a menos que sejam internacionais.
E temos um sistema de medição de relações entre franchisado e franchisador – o Selo de Excelência em Franchising – que é realizado anualmente. Este ano entregámos selos a 55 de 63 empresas inscritas.

Desde 2003, qual é a adesão ao Selo de Excelência?
Em relação a 2004 teve um crescimento de 20%. O objectivo é ampliar esse número, porque através dessa auditoria levamos uma consciencialização aos próprios empresários.

ENTREVISTA Fernando Magueta
FOTOS  Mariline Alves