O Franchising é visto como um mundo de oportunidades de negócio. Todos os dias são lançadas marcas novas, nacionais ou master franchise importados. Será a melhor opção para o futuro empreendedor optar por uma novidade no mercado ou por uma marca consolidada?
Nas feiras de franchising ouvimos os visitantes dizer: “Quais as novidades, presentes este ano?”, “Vou ver se encontro algum negócio inovador!” ou ainda “Não verifico grandes novidades é sempre a mesma coisa, marcas imobiliárias e pouco mais!”. A novidade atrai sempre a curiosidade e vemos algumas publicações darem um destaque enorme a marcas que chegaram ao mercado, muitas delas sem qualquer expressão ou mesmo sem unidade própria. Irá o franchisado optar pela novidade ou pela marca consolidada? Estarão os empreendedores a deixarem-se conduzir em investimentos em novos negócios, mesmo que desconhecidos pelo mercado alvo, insipientes e não testados?
Na minha opinião, o facto de o mercado de franchising ser ainda recente e por vezes pouco exigente na qualidade e fiabilidade dos conceitos, leva a que a marca-novidade tenha um elevado destaque nos media, comparativamente com a marca-consolidada. Considero um risco muito elevado, um empreendedor optar por um investimento numa oportunidade que não tem histórico em Portugal, mesmo que seja uma marca Internacional. Muitos franchisadores encerram nos primeiros 2 anos, ou não chegam sequer a dar continuidade à expansão, apesar do impacto que tiveram com a sua novidade e de alguns franchisados lhe terem confiado o investimento. Isto acontece, por o formato do negócio não estar testado ou adaptado ao mercado e até mais frequentemente, pelo facto de o franchisador não ter a experiência ou suporte financeiro para aguentar o arranque, investimentos dos primeiros anos e dificuldades iniciais.
A experiência diz, que para um master franchisador ou franchisador nacional, a maior dificuldade está nos dois a três primeiros anos. Para lançamento do negócio o franchisador tem que investir na sua formatação, abertura de unidades próprias, marketing, e na estrutura de suporte à futura rede franchisada. Apenas após atingir uma rede com alguma dimensão é que o franchisador começa a receber os frutos do seu investimento. Acresce que o negócio por ser novo tem ainda arestas por limar e correcções a fazer. Os primeiros franchisados da marca, serão certamente os mais sacrificados pois o conceito não é ainda conhecido, os processos não funcionam ainda na perfeição e o esforço do franchisado para atingir os mesmos resultados é necessariamente maior. Deste modo, é normalmente muito menos arriscado para um empreendedor abrir um franchise com uma rede consolidada, aproveitando toda a experiência, erros cometidos, notoriedade da marca, organização e suporte do franchisador e economias de escala pela dimensão da rede.
Não existem negócios sem risco, mas o segredo é minimizar os riscos do investimento para que com elevada probabilidade seja atingido o sucesso. No início do franchising em Portugal (anos 90), alguns franchisados tinham uma ideia errada do franchising e alguns pensavam mesmo que não era necessário um grande esforço, pois o negócio iria sempre funcionar. Hoje felizmente esta mentalidade já não faz parte da generalidade dos empreendedores, que estão muito melhor informados e sabem que o negócio vai depender muito da sua dedicação e gestão. Apraz registar também o esforço de comunicação e informação sobre o franchising efectuado nos últimos anos, ajudando a profissionalizar o sector.
Cabe ao futuro franchisado uma análise de risco do investimento, um bom aconselhamento e contacto com outros franchisados da marca antes de tomar a decisão.
Pedro Santos
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Pedro Santos | Administrador do Grupo OneBiz