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Artigos sobre Franchising

A CRÓNICA DOS “ISMOS”

Os tempos de crise são de facto necessários para a renovação dos tecidos empresariais e para a adequação de posturas, até aí confortávelmente instaladas. Ela, a crise, selecciona o que não presta e corrige formas instituídas. E é da concretização destes processos que hoje todos reconhecemos uma luz no fim do túnel. Quem por cá ficou resistindo à crise, teve o mérito de antecipar necessidades e reconhecer viabilidades. O franchising não foi excepção ! Resultado da atitude dos principais interessados, este sistema foi explorado até às últimas consequências:  envelheceu, caducou e não inovou em tempo útil. Hoje, assiste-se ao nascimento de uma nova era, uma nova geração. Outros valores!!! Podemos chamar-lhe de Franchising – Parte II.
Mas afinal que valores os (também) novos públicos pretendem reconhecer no franchising? Resposta: inovação, carácter, honestidade, transparência, distinção, evolução, sucesso e viabilidade!
As empresas prestadoras de serviços para franchising - as que resistiram à crise - tiveram de corrigir a sua postura e o seu âmbito. As de Interiorismo não puderam mais ficar descartadas da intervenção activa dos processos de constituição de marcas e desenvolvimento de novos conceitos comerciais.
Um projecto de Interiorismo não é, somente, pura obra de arte. É, acima de tudo, a “cara“ de uma estratégia comercial, de um conceito; o lado físico de uma atitude comercial! Por isso algumas empresas, evoluindo, desenvolveram valências a montante da fase do projecto de Interiorismo e respectiva obra-chave-na-mão. Assim, disponibilizam hoje serviços na área da comunicação, da criação de novas marcas, do desenvolvimento e evolução de conceitos comerciais, e ainda do posicionamento estratégico do negócio.
A jusante dos processos de obra chave-na-mão, criaram-se maiores valias em prestações de Vitrinismo, como garante da manutenção de uma imagem ao longo dos tempo.  A intervenção da empresa não termina, portanto, com a conclusão da obra de uma nova loja.
Na constituição de uma nova marca, o objectivo maior é impor no mercado um novo conceito, destacando-o da concorrência. O processo de destaque através do projecto de Interiorismo consta da imputação ao conceito visual de uma mensagem “in“, uma imagem de quem está “à frente“, enfim “fazendo moda“, arrasando com a concorrência. Pretende-se que a imagem projectada para a rede de lojas se torne inesquecível aos olhos de cada utilizador: pela capacidade de surpreender, pela harmonia, pelo bom gosto, pelo conforto, pela inovação, pelo destaque... Tudo é possível, excepto a construção de cenários indiferentes.
O visitante deve sentir-se à vontade. Deve preferir essa a outras lojas. A loja  deve comunicar com o seu público, dizer-lhe que está viva. Uma questão de identificação afectiva, emocional, inconsciente. O tal clic !!! A arquitectura do espaço deve revelar, em si, os valores que padronizam o nicho de mercado que queremos conquistar e fidelizar: o estilo de vida, a atitude.
Ao cliente cabe preferir um estilo, um gosto. Cabe ao fornecedor propor novas ambiências, à dimensão humana! A palavra de ordem é de  DIFERENCIAÇÂO – na oferta, na comunicação, na atmosfera, ... , no ar que se respira. Só convence o que claramente se distingue, o que preenche um vazio de um desejo insatisfeito.
As imagens constroiem-se com a intervenção de quem as concebe. E elas existem e são determinantes na relação que se vai estabelecer com os problemas e com os nossos públicos. Seria então sinal de miopia deixar que as coisas acontecessem por si. Indispensável é direccionar e construir imagens, espaços e atmosferas no sentido pretendido. No sentido da confiança, da afirmação e do sucesso !
Na elaboração de um projecto de Interiorismo para uma rede de lojas, há que identificar trunfos diferenciadores e marcadores de sucesso. Assim, não só se está a potenciar a nova marca, como também a fragilizar a concorrência (a existente e a que venha a existir). Importante será então aumentar a garantia de fidelização dos clientes e a capacidade de atrair e conquistar novos consumidores ao longo do tempo.
Surpreendente ??? Há que surpreender !!!
Ao criarmos um conceito de marca muito forte, não só se está a fomentar a sua afirmação nos mais competitivos mercados, como é o do franchising, como também a trabalhar, desde logo, a sua auto-capacidade-atractiva nos  potenciais franchisados, nos parceiros de negócio, na imprensa e noutros investidores de interesse futuro. Ser ou não ser cobiçável, eis a questão ?
Temos então, desde o início, um projecto que objectiva viabilidade e sucesso, não só do ponto de vista da loja quanto ao consumidor, mas também do ponto de vista do franchisador junto dos franchisados. Se a marca tem de ser atractiva para o cliente, tem também de o ser para o franchisado, permitindo, assim, alguma facilidade no processo de expansão e de abertura de novos pontos de venda. Desta forma, uma formatação em franchising pode antever-se relativamente fácil.
Nos últimos tempos fomos invadidos por terminologias nunca antes usadas: Consultorismo, Interiorismo, Vitrinismo, Empreendedorismo... enfim, um conjunto de novas palavras que os dicionários não contemplavam. São sinais dos tempos, são mudanças e adequações, são o reflexo do engenho humano para passar rasteiras à persistente crise.
“Interiorismo” entrou na nossa linguagem à cerca de uns bons 15 anos. Na altura era unanime a dificuldade em pronunciar tal palavra. Hoje ela é comum e usada em vários cenários, mas poucos saberão ainda o que significa. No inicio da década de 90, Portugal foi invadido pela onda do franchising que coincidiu com a explosão dos novos Centros Comercias. Aí, foram muitas as marcas, até então desconhecidas, que iniciaram a sua laboração no nosso país. Traziam do país de origem os seus projectista e construtores, profundos conhecedores do conceito de Interiorismo. Algumas empresas portuguesas não quiseram ficar a ver navios e, rapidamente, aderiram ao Interiorismo. Na prática, ele traduz uma nova atitude do moderno comércio face ao mercado e à concorrência. Cada loja, cada ponto de venda passava a ter uma função muito para alem do sitio onde produtos, serviços e funcionários aguardavam a simpática visita dos consumidores. Seria então necessário que a imagem de cada espaço induzisse e despertasse, de facto, comportamentos reais de consumo. A arquitectura das lojas passou a acumular novas responsabilidades: comunicar com o público-alvo, reproduzir emoções identificadoras, atrair mais consumidores do que a concorrência e fixa-los no seu interior mais tempo, para que assim se cumprisse o grande objectivo: induzir comportamentos reais de consumo. Para o efeito, não era suficiente recorrer aos projectistas tradicionais, como os engenheiros e os arquitectos. Mais do que nunca, profissionais da área das ciências sociais avançavam para um novo campo de actuação, enquanto os profissionais tradicionais recuavam e deixavam o caminho livre. Sociólogos e psicólogos, em parceria com engenheiros e arquitectos, ensaiavam os primeiros passos da psicologia da cor, da atracção da luz e do marketing dos aromas. Isto é Interiorismo.
A grande procura pelos serviços de Vitrinismo surge 10 anos depois, a partir de 2002. Vitrinismo já não era apenas o capricho de uma marca em apresentar boas montras. Vitrinismo passou a ser a grande ferramenta para que o comércio pudesse melhor conviver com a crise. E porquê? Porque em tempos de crise, a capacidade de uma marca realizar melhoramentos (obras) nas lojas da sua rede, caiu muito. Quando esta dificuldade se associa à continua preocupação de abrir novos pontos de venda em novos shopping´s (por exemplo), facilmente se conclui que a engenharia financeira do empreendedor vai recorrer ao Vitrinismo em grande escala: não às obras de remodelação dos espaços existentes; sim às obras simples para as novas lojas a abrir. O Vitrinismo irá compensar todas as lacunas desta estratégia.
Consultorismo terá sido a mais recente aquisição do nosso vocabulário. O Consultorismo é testemunha do avanço da Industria para o Retalho. Fartos de (tentar) vender nas habituais lojas multimarcas, a Industria avança em massa para o Retalho, a pensar no franchising como forma possível de crescimento. A criação de marca própria é imperativo – conteúdo e forma! Definir serviços, produtos inovadores, colmatar lacunas de mercado, evoluir em conceitos já existentes e adequados, potenciar em trunfos diferenciadores e caracterizar em marcadores de conceito. É esta a função do Consultorismo que actua na adequação deste avanço e aqui se associa à criação de uma Identidade Corporativa.
O Consultorismo testemunha ainda a criação de novas marcas e desenvolvimento de inovadores conceitos comerciais da nova geração de empreendedores que, não querendo (como franchisados) aderir a nenhuma marca existente, eles próprios se transformam em franchisadores de conceitos, criados recorrendo a empresas de Consultorismo.
Num processo de constituição de uma nova marca e conceito comercial, até à abertura da sua loja piloto, a sequência de estudo é: Consultorismo apresenta-se primeiro, logo seguido do Interiorismo, Obra-chave-na-mão e por fim o Vitrinismo.
Empreendedorismo é o talento e a coragem para empreender!!! O empreendedor, empreende... e assim se faz o empreendedorismo! Difícil? Fácil! Se todos estamos fartos de pertencer a um pais da cauda da Europa, se todos estamos cansados de nos queixarmos da crise e do desemprego, então sejamos nós a criar o nosso emprego (e o dos outros). Empreendamos o futuro, derrubemos a crise e, muito provavelmente, Portugal sairá da cauda da Europa. Isto é uma desafio! Você aceita? Nós já o aceitamos. Arregace as mangas! Mãos à obra!!!

Luis Pedro de Sousa (Elite Decor Machine)