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Artigos sobre Franchising

O problema do Financiamento no franchising

A decisão de iniciar um projecto em franchising é muitas vezes condicionada pelo acesso aos capitais necessários para o projecto. Neste artigo irei procurar ajudar aqueles que pretendam montar um  negócio, sem disporem de elevados capitais próprios.

O Investimento Total:
O primeiro passo é determinar com exatidão o investimento total a efectuar.  O investimento não é apenas o fee ou direito de franchising. No cálculo do investimento total é necessário ter em conta os fees do franchisador (direito de entrada), investimento nas obras do local, custos de projectos de arquitectura, especialidades e licenciamento, direitos de entrada no caso dos shopings ou trespasses de loja, equipamentos do espaço (mobiliário e equipamentos informáticos), decoração e lettering, veiculos, stock inicial de produtos e o fundo de maneio. Muitas vezes o fundo de maneio (montante necessário para suportar o déficit de tesouraria nos primeiros meses de actividade) é esquecido no cálculo do investimento total. A falta de fundo de maneio leva a que alguns projectos, logo no inicio não tenham capacidade de suportar os custos do arraque, cujos meses são normalmente os mais dificeis.
A titulo de exemplo, vamos considerar que se trata de um franchising de uma escola para crianças e que o investimento total é de 100.000 EUR,  dividido em 60.000 EUR de obras e equipamentos, 20.000EUR para um veículo,  10.000EUR de direito de franchising e 10.000 EUR de fundo de maneio.

Estruturação do financiamento:
Encontrado o montante global do investimento é necessário agora definir a forma de financiamento dividido entre capitais próprios,  bancários ou apoios disponiveis.
Os “livros” dizem que qualquer investiemento deve ter pelo menos uma participação de capital próprio superior a 40%. No entanto, nem sempre esta regra é verdadeira ou necessária dependendo do acesso a outras fontes de recursos.
Tenho aconselhado muitos franchisados em situações que o seu capital próprio é reduzido a manterem este valor como reserva e não o utilizarem no investimento, desde que para o efeito tenham acessos a uma das seguintes formas de financiamento alternativo:

a) Reforço de hipoteca imobiliária: No caso do franchisado dispor de um imovel próprio, em relação ao qual a divida (hipoteca) seja inferior ao seu valor de mercado é possivel obter um financimento por ampliação de hipoteca. Neste caso, o banco já tem a garantia real do imovel e vai aumentar o valor do empréstimo, alargando o prazo para o máximo possivel e eventualmente reduzindo a margem (spread).
Consegue-se uma engenharia financeira com resultados muito vantajosos, pois o alargamento do prazo (exemplo para 35 anos), associada à redução do spread (para 0,7% por exemplo), compensa o aumento a efectuar do capital em divida, não fazendo variar muito a prestação mensal do crédito hipotecário anterior. Neste exemplo o franchisado obteve por esta via 70.000EUE, sendo este valor colocado no negócio como capital do sócio e o impacto mensal da prestação foi muito reduzido. Neste caso o franchisado obterá o remanescente 30.000EUR via um leasing na empresa para o veículo e equipamentos, não utilizando as suas poupanças pessoais, as quais serão mantidas em reserva para uma eventual necessidade futura.

b) Apoio através do IEFP (instituto de emprego): O IEFP tem disponiveis apoios para a criação da própria empresa, através de apoio a fundo perdido ao investimento e à criação do próprio posto de trabalho e outros empregos. Estes apoios vão desde o apoio de 40% sobre o investimento ilegivel, antecipação na totalidade do fundo de desemprego do franchisado promotor e apoio financeiro por cada posto de trabalho criado. Para este efeito o franchisado terá que dar entrada no IEPF com uma candidatura e terá que se encontrar numa situação de primeiro emprego, desemprego de longa duração ou a receber subsidio de desemprego. No exemplo, dependendo dos postos de trabalho a criar, numero de meses de fundo desemprego a antecipar e do investimento ilegivel o franchisado poderá obter um apoio a fundo perdido por exemplo de 60.000EUR. Através de uma linha de crédito na empresa poderá financiar os restantes 40.000EUR.

Em suma, o mito da necesidade de capitais próprios elevados, pode ser ultrapassado com um processo de planeamento financeiro adequado, numa das modalidades descritas acima. No entanto, caso estas possibilidades não estejam disponiveis deverá considerar capitais próprios minimos adequados, pois de outra forma o seu negócio terá um risco demasiado elevado para si e para o franchisador.

Pedro Santos - Onebiz Sgps