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Saúde & beleza - O mercado do futuro

As alterações climáticas anunciadas pelos cientistas começam a fazer-se sentir. As condições atmosféricas associadas às estações do ano não estão a obedecer ao calendário e isso está a obrigar as pessoas a mudarem de hábitos. As alergias, por exemplo, começam a surgir em alturas em que até aqui não eram esperadas. Os médicos têm que estar mais atentos e preparados, mas a sociedade em geral também. A exposição despreocupada ao sol será cada vez mais perigosa, as agressões naturais à pele serão cada vez mais notórias e o stress provocado por todas estas mudanças, que influenciarão o quotidiano de cada um, tenderá a aparecer mais e mais. Por isso, “vamos ter que ter mais cuidado com o que comemos e com a nossa pele”, explica Alzira Simões. Segundo esta socióloga “as maiores implicações terão a ver com o exterior, com a pele. Depois, em termos internos, aumentarão as gripes e os vírus gripais”. Com eles surgirão novos medicamentos, produtos específicos para obstar aos malefícios do tempo e para, uma vez mais, as pessoas se sentirem bem com elas mesmas e com os outros. “Haverá uma maior chamada de atenção para os artigos de origem natural. As pessoas estão a sentir necessidade de voltar às origens, de retomar o essencial. É o mito do eterno retorno. Em todos os aspectos. Na alimentação, na agricultura biológica… Os produtos são caríssimos, mas se é natural, se está mais próximo da natureza, faço um esforço e compro”, afirma a antropóloga para quem “o problema é já não termos as mesmas terras nem os mesmos meios”. O que fazer, então? “Congelados como no tempo da nossa avó. Vende ou não vende? Claro que sim”, responde a antropóloga. “Na nossa sociedade terão sucesso os empresários com capacidade económica que se disponham a investir em mercados novos, relacionados com as origens. Basta que invistam de forma inteligente na publicidade. As medicinas complementares, as massagens, os chás, as plantas e as suas propriedades” podem ser muito explorados. Os próprios produtos de estética vão buscar grande informação às tribos com conhecimentos a este nível”, acrescenta. “Nós viemos da terra e sempre ouvi dizer que à terra iremos ter. Se em vida pudermos usar o que de lá provem acho que é mil vezes melhor do que estarmos a fazer o mesmo tipo de coisas com outros materiais. Já se fala em tecidos completamente sintéticos, em tecidos naturais”.
Para o psicólogo Nelson Lopes a “tendência é para combinar saúde com beleza”. Daí que o profissional considere que muitas das oportunidades de negócio se prendam com complexos que incluam ginásios, consultas de nutrição com avaliação do peso e medicina alternativa. A corroborá-lo estão o Instituo do Stress e as Clínicas Persona, por exemplo. “Os protectores solares e os solários também terão muita saída. Perder-se-ão produtos e serviços associados ao Inverno mas ganhar-se-ão outros”.

Um vasto público-alvo
Não são apenas os produtos ligados à beleza que estão a desenvolver-se. Os serviços que contribuem para o bem-estar físico e psíquico também têm vindo a aumentar e a superar-se. O próprio público a que se dirigem é diferente, mas vasto. “Com os idosos começou-se com o turismo e com os próprios lares”, cada vez mais atentos às suas necessidades e vaidades. Do ponto de vista de Alzira Simões, apela-se com frequência “à musicoterapia, aos cuidados a ter com o corpo, à saúde e à auto-estima na velhice”. Mas às crianças também já chegou. “São elas que fazem os pais gastar”.
Os homens constituem ainda um nicho a explorar, de acordo com Nelson Lopes. “Muitos não sabiam o que existia para o género antes de chegarem as revistas masculinas. Creio que com elas se despertou uma necessidade que antes talvez existisse mas não à escala que se verifica actualmente”, aponta. “Hoje os homens querem estar mais bonitos, nem que seja por uma questão de competitividade com as mulheres. A terceira idade também teria bons clientes, certamente.” Não nos esqueçamos que cerca de 60 por cento da população tem entre 25 e 60 anos.
“Os empresários, os publicitários, os criativos só têm que estar constantemente em actividade e perceber que as próximas crianças já não vão querer o que quiseram estas, que os adultos vão exigir inovação”, lembra Alzira Simões. Quem pretender actuar nesta área “terá que exigir cada vez mais de si, terá que estar sempre um passo à frente. Se essa exigência tem ou não qualidade é outra questão. Tem a qualidade que nos é imposta pelos media, pelos modelos que publicitam os produtos”. “Tem é que se investir naquilo que emociona o ser humano” para se conseguir o sucesso, remata.

Este tema inclui entrevista com Alzira Simões (antropóloga e socióloga) e apresentação de conceitos distintos e bem sucedidos nas respectivas áreas de actuação: Naturhouse; Grupo Persona; Saint Karl; Clínicas Visage; e Executive Nails.


VERSÃO INTEGRAL IN “FRANCHISING  NEW BUSINESS” nº 11

Elisa Brites