Sabe que os portugueses consomem mais de 8 milhões de cafés por dia?
Imagina quantos litros de água são necessários para suportar o calor do Verão no local de trabalho?
Aproveitando o calor deste Verão a Franchising & New Business propõe-lhe que observe com mais atenção a movimentação de pessoas junto das máquinas dispensadoras de águas, refrigerantes, cafés e snacks. Desde a sala de espera do consultório e do salão de cabeleireiro aos escritórios é cada vez mais fácil encontrar uma dessas máquinas e alguém com uma moeda na mão ansioso por matar a fome ou a sede.
Insert coin!... e imagine-se um franchisado/fornecedor de consumíveis alimentares a partir de um investimento que o pode deixar… de boca aberta. E com sede.
Foi o calor deste Verão que nos fez prestar maior atenção ao negócio.
Se o consumo de águas aumenta nesta época também os cafés são mais consumidos durante o resto ano. É sazonal? Vale a pena o investimento? E o que ganham os estabelecimentos com a cedência de um espaço para uma destas máquinas? Os parâmetros de consumo médios conhecidos mostram que um local de trabalho frequentado por três pessoas pode ser lucrativo para o franchisado. Por isso as micro-empresas fazem parte do leque de clientes de um nicho de mercado onde as Pequenas e Médias Empresas (PME) constituem a maior fatia do bolo.
Se um litro de água não é demasiado para as necessidades diárias do ser humano, imagine a quantidade que apetece beber quando o mercúrio sobe e aumenta a desidratação. Afinal, mais de 70% nosso corpo… é água.
Mas, mesmo no Verão, o café também ajuda a matar a sede.
A primeira questão que muitos interessados neste negócio colocam aos franchisadores está relacionada com as variações de consumo ao longo dos 12 meses do ano.
Aníbal Pinto afirma que “este negócio é muito sensível à sazonalidade, sobretudo em Julho e Agosto”. O responsável pela rede Jetcoffee aponta duas razões para que as suas máquinas de café tenham mais descanso: “Férias ou ausência de pessoal dos locais de trabalho; e o clima, pois as bebidas quentes são mais apetecíveis no Outono e no Inverno e parte da Primavera”.
Insert coin
Os portugueses consomem diariamente oito milhões de cafés – ou bicas, ou cimbalinos, se preferir – e estão habituados ao conforto de uma chávena de loiça com a colher de inox para mexer o açúcar. E quando o copo é descartável e a colher substituída por uma palheta plástica?
As cores quentes que envolvem as máquinas dispensadoras e o aroma do café do ar não inibem a sua degustação. Basta ter uma moeda à mão e escolher o modo: curto, longo, capucino, descafeinado…
Então se for água, mais facilmente se retira o copo e se enche à temperatura ambiente ou fria. E se repete a operação vezes sem conta.
Durante o horário de trabalho já imaginou as implicações deste vaivém ao café mais próximo? Com o pretexto da perda de produtividade na empresa não são muitos os empresários que negam a colocação destes serviços nos seus escritórios e empresas. Mesmo quando se trata de máquinas que impliquem a inserção de moeda. É o conforto que se proporciona ao trabalhador e a atenção que se tem junto do cliente ou de uma visita no local de trabalho. E a produtividade. Pense no exemplo dos seus colegas de trabalho: uma ida ao café pela manhã e outra pela tarde; dois dedos de conversa e um cigarro antes de regressar ao posto de trabalho. Quantos minutos passaram? Quantas horas se acumulam ao fim de um ano? Não há patrão que resista a esta evidência.
Atente aos custos necessários à entrada numa destas redes de franchising e vai ver que está ao seu alcance.
Brand name: Nestlé ou Zalli?
Não é só a qualidade de cada uma das marcas e respectivos produtos que está em causa quando se trata de escolher o café a escolher. Sendo uma das marcas mais valiosas e familiares do mundo, a Nestlé tem um índice de notoriedade substancialmente superior à Zalli. Por outro lado a exclusividade da marca italiana apresenta-se como uma mais-valia junto de determinados consumidores.
House Coffee e Jetcoffee são ambas distribuidoras de cafés e bebidas quentes do gigante mundial de produtos alimentares e nutricionais, imperando a etiqueta Nescafé nas suas máquinas dispensadoras.
Pela Zalli, Hamyn Habib defende que “o nosso sistema gasta sete gramas de café por dose”, o equivalente café ao que se consome no canal Horeca e disponível apenas em monodoses. A Cool Point tem os direitos sobre a marca para todo o mercado ibérico e já “estamos a fazer alguns acordos para expansão em Espanha” em simultâneo com o novo package da água Spring Nature – um muito mais prático e leve garrafão de 5,55 litros em vez do tradicional recipiente de 18,9, vendido em packs de três unidades. Como é uma “água de nascente engarrafa em recipientes de menor capacidade, as características da água não se alteram” e “é mais fácil para as mulheres que povoam os escritórios mudar o garrafão, porque é muito mais leve”, sublinha Margarida .
Diogo Ribeiro da Cunha acrescentou à House Coffee a PureWater/Água Pura para fazer da Lusoalvo um franchisador “líder de mercado” no sector da distribuição.
A deusa do frio em part-time
Diz a lenda que Uruvana que às características lunares e gélidas esta deusa acrescentou o poder de estar em todo o lado sempre visível. As máquinas da espanhola Urvana não enganam: são vermelhas e – fixadas na parede ou apoiadas numa estrutura metálica – estão sempre ao nível dos nossos olhos. A empresa Jiconsa (da holding Urconsa, ligada ao sector imobiliário e à construção civil) criou uma rede de 19 franchisados em apenas quatro meses de actividade e tem na Duseco o master para o Sul de Portugal, mercê da sua presença na Expofranchise. Mas Orlando Codinha “agora quer todo o mercado”, revela José Manuel Conde Valle, o director-geral da Jiconsa. “Pensámos que a expansão devia começar por Portugal, um mercado muito parecido com Espanha”, diz Conde Valle. Acabada de chegar e (à data de fecho desta edição) em negociações com a Coca-Cola, a Urvana é a outra opção às máquinas de grande porte. Em regra só as máquinas de grandes dimensões – indicadas para ambientes superiores a 20 ou 25 pessoas – dispensam refrigerantes, mas a empresa espanhola pensou naqueles que apreciam Coca-Cola, 7 Up e Sumol (os sabores escolhidos para Portugal) e fabricou uma máquina capaz de suportar 13 unidades de cada, ao preço unitário de um euro. Baseado na, ainda, curta experiência no país de origem, Conde Valle aponta uma margem bruta mensal de 2.145 euros para um “índice de utilização fraco”: com um de apenas cinco latas por cada uma das 30 máquinas e um lucro unitário de 65 cêntimos, atinge-se esse valor em 22 dias de exploração/mês. Pode ser um part-time para um franchisado, que “consegue abastecer as 30 máquinas em três dias”. E tem total liberdade de aquisição das bebidas.
House Coffee
Cross-seling da Lusoalvo
A House Coffee surgiu em Espanha há oito anos pelo grupo House Market. Mais de meia centena de equipas leva os consumíveis Nestlé a um crescente número de máquinas espalhadas pelo o país. Um ano é o tempo indicado para o retorno dos 20 mil euros necessários ao ingresso neste franchising – a “fórmula comercial do futuro”, segundo a Lusoalvo, que também é responsável pela expansão da rede de distribuição Pure Water/Água Pura. Para o franchising de distribuição destas águas o valor é quase igual ao da House Coffee. Se atendermos ao cross-seling originado pelos dois tipos de produtos, a Lusoalvo pode ser vista como a empresa líder do mercado da distribuição águas e bebidas quentes – water & coffee in office.
Jetcofffee
Financiamento até 50%
O master da Jetcoffee garante que sete a oito meses chegam para obter retorno do investimento. Sem contar com IVA, são necessários 12.500 euros para usufruir dos direitos da marca (com a possibilidade de 50% de financiamento) e começar a explorar o negócio das máquinas automáticas de café e bebidas quentes, num leque de oito opções. Obrigatória é a exclusividade do abastecimento dos produtos (Nestlé), a cargo da Teamvending, que gere três das 18 unidades da rede.
Urvana
Rookie espanhol
Surgiu este ano em Espanha, onde já tem 19 franchisados, e já está em Portugal. O próprio master fabrica as máquinas de com capacidade para 39 latas de refrigerantes de 33 cl. Com 20 mil euros (sem IVA) pode tornar-se franchisado, com direito a 30 máquinas e formação em Madrid. O investidor tem total autonomia para a aquisição dos produtos só paga, mensalmente, 3,5 euros/máquina.
Zalli
Aquela máquina!
Se o café é o único negócio da Zalli e o master sublinha a qualidade das diferentes variedades, também as máquinas deste franchising italiano são “as melhores para um escritório”. Ao design, a marca acrescenta o silêncio dos aparelhos como uma virtude facilmente compreensível e testada por qualquer consumidor, como se estivesse em sua casa.
Cinco mil euros de direito de entrada é o único valor fixado pela Cool Point, que agora vai entrando no negócio das águas (com a marca Spring Nature) em parcerias distintas do tradicional modelo de franchising, mas com todas as virtudes de um recipiente equivalente ao garrafão de cinco litros. “Num escritório, qualquer mulher pode mudar o garrafão”, afirma a directora de marketing.
Fernando Magueta e Susana Veiga