PTfranchising.com
Artigos sobre Franchising

O Comércio Eletrônico e o Futuro do FRANCHISING

Quais as implicações do comércio eletrônico para o franchising? Aos que pretendem decretar seu fim ou enfraquecimento com o advento da venda de produtos e serviços pela Internet, é melhor que examinem melhor a questão.

Em princípio, uma loja virtual funcionando em um site na rede mundial de computadores dispensaria a necessidade de uma rede de lojas, estabelecidas em vários locais, para a distribuição de seus produtos. Afinal de contas, para que um monte de pontos de distribuição se é possível vender à distância para quem se dispõe a pagar pela entrega daquilo que está comprando? E, sob esta perspectiva, o franchising, entendido aqui como um meio de expandir a rede de distribuição por meio da proliferação de pontos, estaria com os seus dias contados.

Entretanto, este raciocínio peca pela superficialidade. Uma análise mais conclusiva da situação nos leva a vislumbrar novos tempos para a economia e o comércio, em que o franchising será fortalecido e ganhará novos adeptos.

A Internet permite a venda de produtos e serviços. E pára por aí. E veja que para serviços somente em alguns casos é possível prestá-los pela própria Internet. Assim, afirmar que algo que envolve, quase sempre, apenas a venda dos produtos pode substituir ou provocar a obsolescência do franchising pode ser desconhecimento de causa.

Franchising é a reprodução do “conceito de um negócio” em vários locais, por meio do franqueamento de unidades.

Ou seja, o franqueador concede o uso de sua marca e transfere seu conhecimento para que diferentes pessoas possuam e operem seu negócio, sob um modelo bem-sucedido. Logo, os franqueados são agentes locais que conhecem profundamente seus clientes e, apoiados pela sistemática operacional adquirida e pela força da marca, cumprem o papel de eficiente canal de distribuição, com vantagens para ambos os lados. E isto não é apenas vender.

Portanto, a questão não é se o comércio eletrônico pode acabar com o franchising, mas sim como o franchising será útil para os negócios da era da informação.

Um negócio bem-sucedido na Internet poderá precisar de bons distribuidores finais para os seus produtos e serviços, afinados com sua imagem, conceito e maneira de operar. Que ofereçam o “produto estendido”, compreendido como um pacote de serviços agregados ao produto principal objeto da compra, como o atendimento pessoal, a negociação de preços e financiamentos, o test drive, entre tantos outros, o que, aqui pra nós, é bastante difícil de se fazer pela Internet.

Além disso, nunca iremos lavar roupas pela Internet, fazer a revisão do carro ou passar as férias num resort por meios eletrônicos. Estes são serviços que envolvem um trabalho bastante tangível para que se dispensem os estabelecimentos físicos. Pedimos pizza e outras refeições pelo telefone já há muito tempo, e não há nenhum indício de que pizzarias e restaurantes convencionais estejam desaparecendo. E, por mais que passemos a pedir refeições para comer em casa ou no trabalho, sempre será preciso haver quem as prepare na hora e nos entregue antes que a fome passe.

Diante disto, não vamos confundir comércio eletrônico com ameaça ao franchising, mas sim procuremos descobrir como o franchising pode solucionar alguns dos problemas de “canal” surgidos na economia digital.

Luís Gustavo Imperatore é consultor da Cherto Networking

Luís Gustavo Imperatore